Evento se consolida como um importante espaço de valorização à arte
A cultura popular e independente marcou presença no centro de Ponta Grossa neste sábado (26). A 11ª Feira do Cultura Plural, projeto de extensão do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) foi promovida no SESC Estação Saudade, próximo ao Terminal Central, a partir das 14h. O evento foi aberto à população, e contou com atividades voltadas a todo tipo de público, com exposição e venda de produtos artesanais, além de performances de teatro, música e dança.
A primeira edição da feira surgiu como uma comemoração do primeiro aniversário do Cultura Plural. Em 2026, o projeto comemora 15 anos de existência, e carrega consigo uma bagagem de conhecimento e materiais que contam a história da cultura pontagrossense. A professora Karina Janz, do departamento de Jornalismo da UEPG, foi uma das idealizadoras do projeto extensionista em 2011, e relata que, ao longo dos anos, o evento conquistou uma maior visibilidade, tanto entre os artistas quanto para os visitantes.
Ela comenta que, desde o início, a ação teve uma realização muito espontânea “Nós divulgamos uma data, e convidamos as pessoas para participar, tem parceiros que estão desde o começo. Neste ano, algo interessante foi as pessoas nos procurarem para participar da feira, principalmente os expositores”. A população exerce um papel central no evento, ao abraçar o projeto em cada feira. “O projeto, ao longo dessa trajetória, vai crescendo, se fortalecendo e conseguindo se inserir na comunidade”, explica.
Uma das integrantes do projeto, a professora Janaíne Kronbauer dos Santos, que participa da iniciativa desde 2025 e esteve na edição anterior da feira, percebeu mudanças no evento ao longo do último ano. “Do ano passado até agora, eu acho que aumentou, na verdade, o número de pessoas participando, de expositores, e também o número de apresentações artísticas”, relata.
Para Janaíne, a realização da feira representa uma forma de aproximar a universidade da população de Ponta Grossa. A proposta é levar as ações desenvolvidas pelo projeto para além do ambiente acadêmico e possibilitar o acesso à cultura em um espaço público e acessível. “A ideia, a proposta do projeto Cultura Plural, ao realizar a feira, é fazer com que a gente consiga, além das ações que a gente já faz no cotidiano, extrapolar os limites da universidade”, explica.
As vendas de produtos foram realizadas durante toda a feira, com itens como pintura, bordado, imagens religiosas, etc. O produtor Juliano Ferreira compareceu ao evento para expor seu trabalho na criação de terrários, prática que adotou há dois anos como método terapêutico. Um terrário é um pequeno ecossistema inserido em um recipiente de vidro fechado, onde são colocadas plantas que sobrevivem neste tipo de ambiente, como a samambaia e o antúrio. Juliano confecciona produtos personalizados, principalmente com cristais e imagens do catolicismo e umbanda. Na vida dele, o trabalho e a espiritualidade caminham lado a lado. “Eu me entrego muito à minha espiritualidade e faço esse trabalho com muita energia positiva. Aqui, você está levando a natureza para dentro da sua casa, e os cristais também são uma forma de levar essas boas energias”, destaca o feirante.
Entre as manifestações artísticas presentes na feira esteve a arte drag. Max, que participou do evento como Roberta Lovesky, iniciou a criação da personagem neste ano, a partir do projeto da peça La Luna. Segundo ela, o processo contou com a orientação de Brigitte, considerada sua “drag mãe”, que ensinou técnicas e conhecimentos necessários para a entrada nesse universo. Para Max, a arte drag também representa uma forma de expressão pessoal. “Eu vejo a arte drag como uma coisa muito transformadora. Acho que tem muita coisa que a gente ainda esconde dentro de nós, que com a drag a gente consegue colocar para fora, expressar e comunicar para outras pessoas”, afirma.
A participação na feira também marcou a estreia de três drags que integram o projeto. Max conta que, apesar do nervosismo, o grupo encontrou no evento um espaço de acolhimento e diversidade. “Nós estávamos bem nervosas, mas é um espaço cultural, um espaço muito diverso, a gente se sentiu muito acolhido e respeitado”, relata.
A feira foi o encerramento da 35ª Semana de Comunicação do curso de Jornalismo da UEPG, que integrou os estudantes em palestras e oficinas voltadas à complementação de sua formação. Durante a semana, a universidade recebeu profissionais de todo o país para compartilhar conhecimentos sobre diferentes áreas do jornalismo, e, assim, reforçar a ideia de graduação como um espaço para ampliar ideias e conhecer pontos de vista variados por meio do estudo.
Fotos: Maria Eduarda Almeida (01-08) e Ana Luísa Runho (08-14)
Texto: Ana Luísa Runho (e Mariana Fernandes
Revisão: João Pedro Souza
Supervisão: Paulo Pessôa
