Encontro buscou aproximar o público da arte e incentivar novos hobbies
A tinta a óleo é uma das mais antigas na história da arte e uma das suas características é a resistência à passagem do tempo. Até hoje, essa técnica milenar é uma importante parte das artes plásticas no mundo. Na última sexta-feira (04), o Clube da Cafeína promoveu uma oficina de pintura a óleo ministrada pela artista Francielly Siguel Moreira, na cafeteria Mudra Lab.
A oficina foi dividida em duas etapas: teórica e prática. Inicialmente, os participantes entenderam como se comporta a tinta a óleo em relação ao tempo de secagem, pigmentação e outros aspectos. Ela exige cuidados diferenciados em relação a outros materiais, pois demora mais tempo para secar e é mais consistente, por isso, são utilizados dissolventes e, se necessário, produtos secantes. Após abordar estes pontos, foi realizado um exercício de pintura simples, que consistiu na confecção de um pequeno quadro do pôr do sol. Na prática, a ministrante ensinou sobre a mistura de cores e o degradê, aplicado no céu do desenho.
Francielly conta que a arte faz parte da sua vida desde a infância, quando desenhava roupas para que a mãe costurasse. Para ela, a prática artística se torna gratificante quando se obtém um produto feito inteiramente pelas próprias mãos. “Um dos alunos que estava na oficina, no final, olhou e falou ‘Nossa! Nem acredito que fui eu que fiz’. E eu fiquei tão feliz em ver ele feliz com o quadro que ele tinha acabado de fazer”, relata. A artista ressalta a importância do trabalho artesanal e valoriza seu progresso: “eu tenho artes em casa que fiz ao longo dos anos, e tenho muito carinho por cada uma delas. Apesar de ver os defeitos, eu tenho orgulho delas”.
Atualmente, a produção artesanal passa a ter outro significado na sociedade, com a evolução das tecnologias que possibilita a criação de imagens em segundos por meio das inteligências artificiais. “Até as propagandas viraram algo fácil. Os artistas se sentem desvalorizados, eu acho que nós temos que valorizar mais o que é feito com as próprias mãos”, destaca a ministrante da oficina. Francielly ainda realça os benefícios da pintura para a saúde mental, sendo uma atividade que demanda concentração, calma e criatividade. “Nós só rolamos o feed e isso nos deixa mal. Naquele momento que você se dedica à arte, você presta atenção nas cores, no formato… E tudo isso faz muito bem”, evidencia.
A oficina foi realizada em parceria com o Clube da Cafeína, criado em setembro de 2025. Segundo Fernanda Stadler, responsável pelo marketing da cafeteria e pelo clube, a iniciativa surgiu para reunir eventos, oficinas e encontros que já eram realizados, além de criar novas experiências para o público. Entre as atividades promovidas estão encontros de cerâmica, bordado, pintura em taça e outras experiências.
A parceria com Francielly aconteceu por ela já participar dos encontros de cerâmica e ter a ideia de levar a pintura a óleo para mais pessoas. A proposta do clube é oferecer atividades diferentes, incentivar novos hobbies e criar momentos de desconexão da rotina. “Nossa ideia é proporcionar experiências diferentes, que fazem a galera desligar o celular e botar a mão na massa”, explica Fernanda.
Além de aproximar os clientes, o Clube da Cafeína busca apresentar novas possibilidades de atividades em Ponta Grossa e incentivar o público a experimentar algo novo sem a preocupação de fazer tudo perfeito. As ações também são realizadas fora da cafeteria, ampliando o alcance do clube e permitindo novas parcerias.
Texto: Ana Luísa Runho, Maria Eduarda Almeida e Mariana Fernandes
Fotos: Ana Luísa Runho, Maria Eduarda Almeida e Mariana Fernandes
Revisão: Emanuelle Nunes
Supervisão: Aline Rosso



