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Evento reuniu mais de 20 mil pessoas para prestigiar tradição, cultura e memória

Algumas viagens não terminam quando o motor é desligado e para quem passou pelo Centro neste final de semana deve ter percebido uma grande movimentação em frente ao Sesc Estação Saudade. Ponta Grossa foi palco do famoso Festival Rota 01 de Moto Turismo, que marcou presença nos dias 4 e 5 de julho com muita música, comida, stands, atrações, motoclubes, gincanas, bandas e um cenário composto por diferentes modelos de motos.

O local em que acontecem as edições do Festival é marcado pela história que antecede sua criação. Em 1923, os ponta-grossenses Ricardo Wagner e Afonso Lange realizaram a primeira viagem de motocicleta do país e da América Latina, utilizando uma Indian Scout e uma Harley Davidson F-16, respectivamente. O trajeto durou quatro dias e por falhas mecânicas Ricardo e Afonso retornaram de trem em desembarque na Estação Saudade, onde acontece o Rota 01.

O empresário Daniel Wagner diz com orgulho que o festival é marcado pelo legado. “É emocionante ver tantas pessoas celebrando conosco essa história do Rota 01, da viagem do meu avô”. O organizador do evento afirma ainda que observar o enorme crescimento do festival é gratificante e simboliza a continuidade de uma tradição. “De duas pessoas, isso se tornou mais de 20 mil ao longo dos anos, então é muito gratificante ver que isso está sendo valorizado, celebrado e levado adiante. Nós estamos dando sequência a uma tradição que foi criada lá atrás, lançando luz sobre isso e o nosso objetivo, além de fazer essa homenagem aos pioneiros, é colocar Ponta Grossa e as cidades por onde o Rota passa no mapa do mototurismo do Paraná, Brasil e América Latina”

Daniel Wagner explica que, durante a viagem, seu avô e o amigo registraram os momentos, os quais foram colocados na galeria de fotos históricas da cidade e da família Wagner nas paredes do Hotel Planalto e, por conta disso, um hóspede viu a Harley Davidson F-16 de Ricardo, fotografou e enviou para o diretor da empresa da Harley Brasil o qual ficou intrigado, pois esta marca de moto mais antiga registrada fazendo uma viagem era de 1930. 

Em 2014, quase 90 anos depois, os harleyros faziam o trajeto de Ponta Grossa a Antonina todos os anos, no dia 23 de agosto, conhecido como o Dia do Mototurismo, instituído pela lei 21.602/23 para comemorar esse feito e homenagear o pioneirismo dos motociclistas. Até 1999, eles faziam uma pequena confraternização, sempre numa sexta-feira à noite e, no sábado de manhã, iam para Antonina. A partir do centenário, fizeram a inauguração do monumento, um encontro um pouquinho maior ainda na Rua 15 de Novembro com algumas bandas e uma organização um pouco maior do que as edições anteriores.

Em 2023, quando comemorou 100 anos, surgiu essa demanda de criar um monumento do local de partida dos viajantes, inspirado na Rota 66 dos Estados Unidos e assim foi criado. Esse monumento está localizado na Rua 15 de Novembro, esquina com a 7 de Setembro, em frente ao Hotel Planalto, onde é o marco zero da viagem. Em Antonina, foi inaugurado um monumento irmão marcando a linha de chegada. O festival em si surgiu em 2024.

Nesta edição, o evento teve um público 5% maior que o ano passado, o qual teve 20 mil pessoas; já a quantidade de motos aumentou de 2 mil para 2.500 com cerca de 30 motoclubes presentes no festival.

Paulo Arruda, diretor do Ministério Motociclista Adventista, um dos motoclubes presentes no evento, conta que a AMM existe no Brasil desde 2013 com mais de 3.500 membros e o objetivo deles como um motoclube cristão: “Nosso objetivo é em cada passeio uma missão,  amamos moto, então além de andar de moto falamos de Jesus para as pessoas”. Paulo também comenta que esta foi a primeira vez que participaram do Rota 01 e o que acharam do festival. “Muito bom, bem organizado e pretendemos participar daqui pra frente em todos e descrever isso em uma única palavra é muito pouco, mas seria gratidão”.

Já para a cofundadora da Associação Fernix, Mariane Schila, estar em um grande evento como o Rota 01 demonstra o apoio de empresários locais pela causa. “Expor os produtos da Fernix e poder conversar com cada visitante foi uma oportunidade que trouxe mais visibilidade, arrecadação de fundos, conexões e experiência e participar foi muito gratificante! Foi nossa primeira experiência como expositores e fomos muito bem recepcionadas por toda a equipe organizadora”. A cofundadora destaca que é importante participar de festivais assim para dar mais visibilidade a associações como esta. “Todo espaço para falar sobre a Fernix abre oportunidades únicas que fazem muita diferença na trajetória da ONG. Somos uma instituição recente do ponto de vista jurídico, e poder mostrar que nosso trabalho mostra que a vida não para durante o tratamento oncológico nos traz esperança de que cada vez mais a sociedade falará sobre câncer estendendo as mãos, com mais informação e acolhimento e menos medo e abandono”.

O tatuador da Yoshitake Store e professor de artes Murylo Sérgio Palcha Rodrigues começou a tatuar quando ainda tinha 17 anos e, como sempre gostou de desenhar, viu na tatuagem uma oportunidade de rentabilizar isso enquanto estava na faculdade de artes visuais. Murylo relatou que conhecia o Rota 01, mas que na edição anterior não foi para trabalhar, mas para se divertir. “Este ano é a primeira vez que a gente está trabalhando com tatuagem e trouxemos o estúdio inteiro, foi uma experiência muito legal, é um evento muito especial para mim porque eu sempre gostei de viajar de moto para ir em eventos de outras cidades e ver isso acontecendo na minha é muito massa”. O tatuador afirma que se sente honrado em fazer a primeira tatuagem de um cliente no festival. “É da ora fazer uma tatuagem pela primeira vez na pessoa, eu acho que eu tenho que tentar passar uma segurança para o cliente e é uma experiência muito legal ser o primeiro tatuador da e espero continuar ao longo da vida né.

Fabrieli Ferreira da Cruz, enfermeira do trabalho e parte do público, comenta que foi a primeira vez que prestigiou o festival e que gostou bastante. “Eu estou me divertindo bastante; tem vários stands aqui, estamos conhecendo as bandas que são muito boas e também é um ambiente familiar, tem todo tipo de público e isso é muito divertido”.

O planejamento do evento dura um ano, pois a ideia deles é sempre buscar ver tudo o que deu certo para repetir, reeditar, reforçar e fazer ajustes daquilo que não deu certo, eventualmente pode ser melhorado e buscando algumas inovações, algumas melhorias, como qualquer negócio.

Mais de um século depois, o trajeto que começou como uma aventura feita por dois amigos, continua reunindo milhares de pessoas com muitas motos, músicas e histórias compartilhadas. O Festival Rota 01 mostra como uma história pode atravessar gerações que se consolidam como uma celebração da memória e mantém vivo o legado dos pioneiros do mototurismo em Ponta Grossa.

Se em 1923 bastaram duas motos para trilhar o primeiro capítulo dessa história, hoje são milhares de pessoas que mantêm essa tradição em movimento conquistando cada vez mais admiradores do mototurismo.

O ronco dos motores pode até ter silenciado ao fim do evento, mas a expectativa pela próxima edição já começou a acelerar, porque o Rota 01 ainda tem muitos quilômetros pela frente.

Texto: Emanuelle Nunes

Revisão: Juliana Emelly 

Supervisão: Paulo Rogério de Almeida

Fotos: Emanuelle Nunes

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