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A mostra apresenta obras e a trajetória da maior referência em Arte Naïf de Ponta Grossa

A exposição “João Pilarski: a Arte Naïf no Paraná” teve sua abertura na última terça-feira (10), na galeria da Proex, próximo à Catedral Sant’Ana. A exibição é resultado de uma curadoria minuciosa realizada pela professora Patrícia Camera, chefe da Divisão de Cultura e Artes da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Proex - UEPG), e pelo professor Nelson Silva Jr., diretor de Assuntos Culturais da UEPG. As obras expostas são, em sua maioria, propriedade pessoal de familiares ou clientes de João Pilarski, que cederam os quadros com o objetivo de que o artista permaneça sendo lembrado e valorizado. 

Nascido em 1929, em Teixeira Soares, João Pilarski passou boa parte de sua vida em Ponta Grossa e retratou os Campos Gerais por meio de pinturas que valorizam a vida rural e a cultura da região. Mesmo com dificuldades de mobilidade resultantes de uma doença degenerativa, Pilarski dedicou sua vida à arte e criou um estilo próprio, que mescla cores vibrantes com traços delicados e ricos em detalhes. João é referência nacional e internacional em Arte Naïf, caracterizada pela produção artística realizada a partir da observação empírica e referências culturais do próprio autor, e reúne exclusivamente artistas autodidatas. Sua obra tem grande relevância mesmo após seu falecimento em 2004 e as pinturas estão espalhadas mundo afora, somando cerca de quatrocentos quadros. 

O professor Nelson Jr. comenta que foi enriquecedor realizar o trabalho de curadoria dos quadros e conhecer detalhes da trajetória de um artista tão emblemático de nossa região. “Você conhece um artista a partir da sua obra. Mas quando começamos a pesquisar e encontramos os familiares que contam tantas histórias, é uma viagem nesse universo da produção artística. Isso é muito rico, e é uma experiência única”, relata. O professor explica que a exposição foi idealizada com o objetivo de valorizar a arte local, e de levar ao conhecimento da população um artista que tem uma real importância na história da arte brasileira. “Muitas pessoas de Ponta Grossa não sabem quem foi João Pilarski. Esse é o momento que vamos conseguir falar sobre ele”, complementa. A pesquisa também é realizada para a produção de um livro sobre a obra de Pilarski, ainda em desenvolvimento. 

Josélia Camargo, sobrinha de João Pilarski, concedeu duas obras do artista para a exposição e compareceu à abertura junto a outros membros da família para representá-lo. Ela mantinha uma relação próxima com o tio e conta que ele foi como um segundo pai. Josélia relata detalhes do processo criativo do artista, que necessitava do auxílio dos familiares para a produção das pinturas: “Nós ajudávamos ele a pintar. A gente colocava a tela de ponta cabeça para ele pintar os troncos das árvores, e quando virávamos para o lado certo, estava perfeito”. Ela comenta que o artista nunca se deixou abalar pela sua deficiência e é lembrado como exemplo de superação por toda a família. “Ele nunca tinha tristeza, por mais que tivesse dificuldades. Nós temos que pensar no que ele ensinou para a gente, e não reclamar da vida, como ele nunca reclamou. Ele deu uma lição de vida para todo mundo”, evidencia. 

Já a acadêmica de Letras da UEPG, Maria Fernanda Ribeiro, relata que nunca havia tido contato com a arte de Pilarski antes. Apesar de não conhecer as obras, a estudante comenta que a exposição foi muito interessante e que os quadros têm uma beleza incomparável. “Eu achei muito lindo. Tem algumas que eu levaria para casa, se pudesse”, opina. 

A exposição revive as obras de um dos artistas mais relevantes de Ponta Grossa e, além dos quadros, apresenta parte da trajetória e da metodologia do pintor, que foi apurada a partir de documentos escritos pelo próprio. Ela estará aberta à visitação até o dia 10 de setembro, reafirmando o valor cultural do trabalho de João Pilarski e dando mais visibilidade à sua arte, uma importante parte da história da arte no município. 

Fotos: Maria Eduarda Almeida

Texto: Ana Luísa Runho e Maria Eduarda Almeida

Revisão: Matheus Fornazari

Supervisão: Paulo Rogério de Almeida

 

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