1º Kampai Matsuri conquista público da cidade
Entre famílias experimentando hot dog coreano, filas para o concurso de cosplay, apresentações artísticas, demonstrações de artes marciais e uma ampla variedade de quiosques com produtos temáticos e comidas orientais, Ponta Grossa recebeu pela primeira vez o Festival Oriental Kampai Matsuri nos dias 6 e 7, celebrando as tradições do Japão, Coreia do Sul e China.
Durante dois dias, o Parque Ambiental deixou de ser apenas um cartão-postal da cidade para reunir a população em um encontro de diferentes expressões da cultura asiática e também mostrar que ela estava presente muito antes do festival. O nome Kampai Matsuri significa “um brinde à festividade” em japonês e expressa o objetivo dos irmãos e organizadores do evento, Alisson Akio e Anderson Rodrigues, de celebrar e unir culturas diferentes, além oferecer experiências diversas para a cidade.
A Associação Cultural e Esportiva Nipo Brasileira de Ponta Grossa estava presente na festa apresentando várias danças tradicionais. Membro da associação, Maria Eiko Kanda, de 70 anos, comenta a alegria de seu grupo ter sido convidado a se apresentar no festival e as pessoas dançarem juntas. “Eu não esperava que houvesse tanta adesão, que fosse um festival de tanto sucesso e repercussão, fiquei muito surpresa e feliz”. Ela cita a importância de pessoas da terceira idade aproveitarem associações como esta para fugir do sedentarismo cotidiano. “Isso é fantástico, desde que eu ingressei na dança, depois da aposentadoria, eu sempre falo para minhas amigas que ao invés de ficarem em casa de chororô, na frente da televisão, é para irem lá dançar junto e é isso que eu sempre procuro fazer, levar a dança principalmente para as pessoas de mais de 60 anos”.
Para o casal de cosplayers Giovane Ramos e Vitoria Carolina Ramos, vestidos de Goblin Slayer e Malenia, o festival foi ótimo para a cidade e para os fãs de animes e cosplays que normalmente só têm a oportunidade de se apresentar em eventos como o Geektopia. “Deu para ver que o público gostou bastante de tirar foto com a gente e eu acho importante ter essas coisas na cidade, porque não costuma ter, são sempre as mesmas festas”, disse a invencível Malenia.
O casal se conheceu por conta dessa arte/hobby e como já participaram de vários eventos, contaram como surgem as customizações. “Muitas coisas a gente vê na internet, para ver se fizeram algo parecido e se inspirar, mas algumas coisas vem na cabeça do nada, então tentamos fazer e se não der certo, vamos fazer de outra forma”, comenta o obstinado Goblin Slayer.
Uma das apresentações realizadas no domingo foi a do Grupo Kokorozashi Taiko, coletivo fundado em 2003 que costuma se apresentar em Castro com demonstrações do taiko, atividades que envolve esforço físico, atividade musical e grande cognição motora, além da gestão de grupo e habilidades interpessoais. O coordenador do grupo, Renan Yassunori Koike, valoriza o esforço conjunto entre comunidades japonesas e brasileiras com o objetivo de trazer algo que representasse melhor a cultura nipônica. “Como o Taiko era muito presente na história do Japão foi escolhida essa cultura para criar-se grupos no Brasil e nessa época, cerca de 23 anos atrás, foi criado mais ou menos 150 grupos no país e desde então o Taiko se tornou hoje a maior expressão artística japonesa em larga escala aqui, só fica atrás da culinária e da própria língua, como um álbum que ficou remanescente dos imigrantes que vieram”.
Para a policial militar e espectadora do evento Lucinéia Catarina da Rosa, festivais como este são ótimos para encorajar as pessoas que se interessam pela cultura a se expressarem mais, além de reunir diversas gerações que buscam algo de novo para conhecer. “Tem muita gente que se inspira em personagens mas fica com receio ou vergonha. Acredito que, se houver mais eventos, as pessoas vão aderir essa ideia e eu adorei ver os personagens, achei muito bacana as pessoas irem lá na frente dançar e se apresentar e para mim é tudo novo, o que eu tinha visto foi só nos doramas mesmo”.
Os idealizadores do evento iniciaram nesta carreira por influência dos pais e participaram de festivais semelhantes, mas como expositores e viram que havia oportunidade de avançar para algo maior. Assim que esta etapa foi alcançada o festival foi idealizado por um ano, mas foi organizado em dois meses e meio, os quais foram utilizados para local, patrocínios, divulgação, marketing, inscrições para o concurso, entre outros, buscando criar uma teia de conexões para que tudo pudesse ser realizado. “Foi um grande desafio para nós, a gente queria dar uma diversificada no nosso ramo, mesmo que esteja dentro do mesmo âmbito, mas procuramos algo para nos desafiar”.
Os empresários Anderson Rodrigues e Allisson Akio relataram que foram feitas pesquisas de mercado na cidade e este foi o grande estopim da ideia, porque perceberam que o público iria receber bem e que deu certo, pois foi 100% como o esperado. “Estamos cansados mas felizes ao mesmo tempo, com certeza vale a pena, a gente acreditou, colocou muita fé que ia dar certo e é muito gratificante, é muito mais do que iniciativa, empreendedorismo e ser empresário, porque ver o pessoal prestigiando e vendo a felicidade deles, é essa energia do Kampai que a gente buscava, isso aqui é uma alegria e enche nosso coração”. Os organizadores têm o objetivo de realizar uma próxima edição do festival.
Texto: Emanuelle Nunes e Jeniffer Iara
Revisão: Giovana Guarneri
Supervisão: Ivan Bonfim
Fotos: Emanuelle Nunes, Jeniffer Iara e Rauane Rodrigues
