Dinâmica realizada na Casa São Pio promove interação, cuidado e valorização de trajetórias

Os moradores da Casa São Pio, lar de idosos, localizado no bairro Jardim Carvalho participaram de dinâmicas promovidas pelo projeto Resgate de Memórias, dos alunos de Psicologia da Faculdade Sant’Ana. As atividades ocorreram no último sábado (29), e incluíram a ‘Oficina da Alegria’ que realiza maquiagem para as idosas, além das dinâmicas do espelho e do retrato, que tiveram o objetivo de incentivar a lembrança de histórias e momentos importantes.

 

A dinâmica começa com uma caixa fechada e a pergunta: “Quem é uma pessoa importante para você?”. Ao abrir a caixa, o participante se deparava com seu próprio reflexo em um espelho, representando sua importância na própria trajetória. Após essa reflexão, foram resgatadas fotos da juventude dos idosos, com o objetivo de reviver memórias muitas vezes apagadas pelo tempo.

O projeto Resgate de Memórias surgiu há dois meses, idealizado pela estudante de psicologia Kamille Domingues, estagiária na casa de repouso. A iniciativa repercutiu recentemente nas redes sociais com a trend “Eu já fui”, que obteve mais de 9 milhões de visualizações e 900 mil curtidas. As atividades promovidas pelo projeto buscam reconectar o idoso consigo mesmo, unindo passado e presente em uma só linha. 

Kamille conta que suas experiências no estágio lhe trouxeram uma nova perspectiva sobre o envelhecimento, o que a motivou para a criação do projeto. “Comecei a perceber que, por trás de cada rosto, existe uma vida inteira. profissões, famílias, amores, sonhos, perdas, conquistas e muitas histórias que, às vezes, ficam esquecidas no dia a dia”. De acordo com a acadêmica, as ações têm o objetivo de valorizar cada uma das pessoas ali presentes, e mostrar que todas as experiências vividas por elas continuam sendo reais e relevantes. Ela ressalta a necessidade de uma mudança na visão acerca da população idosa: “Às vezes, a sociedade olha para o envelhecimento como se fosse apenas uma fase de perdas, e eu comecei a enxergar de uma forma diferente. É claro que existem dificuldades, mas também existe muita vida, experiência, afeto e muita coisa que ainda pode ser vivida”.

A atividade também desperta o interesse de voluntários, que encontram no projeto uma oportunidade de troca e aprendizagem. A esteticista e estudante de biomedicina, Rafaela Raffo, conta que conheceu a iniciativa por meio de uma indicação da escola onde ministra aulas de maquiagem e se voluntariou para participar da atividade. Com experiências anteriores em projetos com idosos, ela destaca a importância da convivência proporcionada pelos encontros: “Para eles, é revigorante! Saber que as pessoas se interessam por suas histórias, sua trajetória e valorizam suas experiências e vivências”. Para a voluntária, a experiência é uma  troca de conhecimentos, que também provoca reflexões pessoais: “Muito do que podemos oferecer é também aquilo que buscamos no outro! Gosto de escutar, imaginar como foi a vida daquela pessoa, quais escolhas fez, quais dores carrega… me faz refletir sobre a vida e aprender muita coisa”.

Entre os moradores da instituição está Isaura Carvalho Pauluk, prestes a completar seus 90 anos de idade. Ao longo da vida, ela acumulou histórias que registra através da escrita. Isaura conta que trabalhou no comércio durante 71 anos e durante esse período conheceu diversas pessoas e vivenciou situações que, segundo ela, permanecem na memória. Parte dessas lembranças foram reunidas em um livro escrito manualmente pela própria residente, que também mantém o hábito de escrever contos e poesias. Para ela, cada idoso carrega uma trajetória marcada por diferentes vivências: “Cada um de nós, dentro, é uma história. Veja quantas memórias existem em cada um de nós, mais velhos. Cada um com a sua história aqui, e o outro com a outra história, e elas se cruzam aqui dentro”. 

Sobre a dinâmica realizada, Isaura destaca a importância de ações que valorizem a população idosa. “Eu achei que vocês estão pisando no lugar bem certo, que a humanidade está precisando”, afirma. Para ela, o envelhecimento da população exige pessoas preparadas para conviver com essa realidade. “Vai aumentar muito a quantidade de idosos e precisa de gente preparada para lidar com essa plateia que está vindo aí. Um dia, vocês vão ser idosos, mas vocês prepararam bem a estrada, para que, quando pisarem nessa estrada, encontrem coisas boas”. 

A Oficina da Alegria é desenvolvida mensalmente, em parceria com o acadêmico de Psicologia Juliano Martins. As temáticas são sempre variadas e buscam sempre trazer alguma reflexão por trás de cada atividade, além de promover um momento de lazer e confraternização. O objetivo é criar espaços para que essas histórias não sejam esquecidas e para que cada idoso possa olhar para sua própria trajetória com orgulho, carinho e reconhecimento.

Texto: Ana Luísa Runho e Mariana Fernandes 

Revisão: Juliana Emelly 

Supervisão: Paulo Rogério de Almeida

Fotos: Ana Luísa Runho e Mariana Fernandes

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