
Palestrantes apresentaram pesquisas sobre folkcomunicação, manifestações amazônicas, serviços ecossistêmicos e produção de pautas ambientais
Na última sexta-feira (25), o Campus Central da UEPG recebeu o último dia de palestras da 35ª. Semana de Comunicação. A programação contou com a participação Adelson da Costa Fernando, da Universidade Federal do Amazonas, que apresentou sua pesquisa “Jornalismo, meio ambiente e cultura regional”, e Ana Istschuk, que abordou o tema “Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental”.
A mesa foi dedicada à apresentação das pesquisas dos palestrantes e, em seguida, foram realizadas perguntas pelo público presente. Adelson apresentou suas pesquisas realizadas nos portais “A Crítica”, de Manaus, e “Alvorada Parintins”, de Parintins. Os portais trabalham com a cobertura do Festival Folclórico de Parintins, além de manifestações populares, culturais e religiosas.
Ao relacionar o jornalismo cultural com a folkcomunicação, o pesquisador explica sobre uma prática jornalística que ultrapassa a divulgação de acontecimentos, abrangendo também as artes, festas e o entretenimento. “Não é só trazer a notícia e divulgar; o jornalismo cultural tem se permitido esse papel de ir além”, relatou. A pesquisa também analisou como as representações populares amazônicas são apresentadas nos portais. O estudo busca observar de que maneira essas celebrações são narradas, quem participa desse processo e como os sujeitos marginalizados, como indígenas e quilombolas, são representados. Também são analisados quais grupos recebem visibilidade, quais sujeitos são chamados a falar e de que forma essas falas são narradas, interpretadas e consideradas na elaboração das notícias.
A palestrante iniciou sua fala com uma pergunta ao público, “O que vocês pensam quando falamos sobre meio ambiente?”. Explicou que temos essa visão do que é o meio ambiente, especialmente o ponto de vista do jornalista na comunicação. “É essencial que a gente consiga contar boas histórias, aprofundar o tema e transformar o cenário”, afirmou. Ana explicou a importância do conceito de serviços ecossistêmicos, destacando que a natureza produz benefícios para todas as pessoas. Alguns desses benefícios são facilmente percebidos, enquanto outros não são tão evidentes. “Ter essa perspectiva ampla da natureza é importante para conseguirmos relacionar outros campos e conseguir falar de meio ambiente na economia, no turismo, na cultura, etc.”, destacou. Ela também apresentou uma nova perspectiva sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A pesquisadora relatou sobre suas experiências no Laboratório de Economia e Observação do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Pontal do Paraná. Segundo ela, foi nesse período que começou a entender melhor as questões relacionadas ao meio ambiente e como poderia transformar essas questões em pautas. Posteriormente, na Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), encontrou outras possibilidades de atuação e passou a trabalhar com diferentes temas relacionados ao meio ambiente, como restauração, biodiversidade, turismo, economia e políticas públicas.
A pesquisadora também trouxe ideias e possibilidades para a produção de pautas ambientais, como procurar relações que nem sempre são evidentes, entender o território, encontrar pessoas e histórias, buscar questões próximas da comunidade e que tenham impacto real.
Ao final da palestra, o evento contou com a premiação do 4º. Concurso Sangue no Zóio, promovido pelo Centro Acadêmico João do Rio.
Texto: Celyne Stefani
Revisão: Gabrieli Mendes
Supervisão: Paulo Rogério de Almeida
Fotos: Celyne Stefani