“A arte existe para que a realidade não nos destrua” (Friedrich Nietzsche)

 O espetáculo teatral circense, DES/criativo, realizado na última quinta-feira, dia 10 de agosto, nas dependências do Cine Teatro Ópera, é uma realização da Cia LevAR-TE com o Coletivo Achados e Perdidos. A apresentação é um monólogo, protagonizado pelo dramaturgo, cenógrafo e ator Kevin Braga, nascido em Belém (PA), que dá vida ao seu personagem mais antigo, o Palhaço 2 de Paus. Há 15 anos, o personagem vem sendo desenvolvido e retratado nos palcos do Brasil. 

 Segundo Kevin, o nome de seu personagem é uma inspiração do palhaço Coringa, que é uma carta de baralho. Para ele, era imprescindível que seu personagem possuísse nome de uma carta de baralho também. No que diz respeito ao número 2, Kevin afirma que este é o seu número da sorte. “O 2 de Paus sempre foi essa pessoa que primeiro para e observa para depois decidir se vai agir ou não”, aponta o ator. O monólogo, além de tratar sobre a criatividade, também conta sobre a vida e o aprimoramento do palhaço.

O Palhaço 2 de Paus mostra clichês da palhaçaria: musicais, danças, trocas de figurino e interação com a plateia. Segundo Kevin, o objetivo do espetáculo é desmistificar o ineditismo e a criatividade no século XXI. “Quando eu estava idealizando este espetáculo, eu acreditava que eu deveria fazer algo inédito, pois os editais queriam que eu fosse inovador e criativo. Depois eu entendi que, na verdade, ninguém é totalmente inédito no mundo contemporâneo, porque alguém em outro momento e em outro lugar, já teve a mesma ideia que nós”, afirma Braga.

O projeto DES/criativo, completou 1 ano e a partir de um programa da Secretaria de Cultura de Ponta Grossa, conquistou um espaço para ser apresentado no Cine Teatro Ópera pela primeira vez. Kevin comenta sobre a dificuldade de atrair o interesse do público. Segundo ele, cada apresentação sempre traz algo de diferente, o artista sempre descobre algo novo sobre seu trabalho, que introduz na próxima temporada.

Para a diretora da peça, Lírio do Pará, “o  setor cultural brasileiro sempre priorizou o ineditismo, diga-se de passagem, o mesmo não disponibiliza estruturas para que os artistas alcancem suas expectativas”. Desde o campo financeiro, produção e a publicidade, os artistas brasileiros sempre estiveram batalhando para manter viva sua arte. Para a arte circense, a batalha é mais árdua, o ramo é deveras desvalorizado e subestimado no Brasil.

Kevin conta que o público, em geral, não possui altas expectativas quando o assunto é circo. “As pessoas pensam que é um espetáculo para crianças e que a peça não irá suprir suas expectativas. Porém, após o término da apresentação, a plateia sempre fica impactada com o resultado, afinal não era algo que elas estavam aguardando”, conclui Kevin.

Criada no ano de 2019, início de pandemia, um período sombrio para os artistas, a Companhia LevAR-TE produziu e apresentou diversos espetáculos de forma remota, como “O Compositor”, transmitido no 49° Fenata, utilizando recursos audiovisuais. A Cia LevAR-TE, é gerida pelo artista, ator, diretor e músico pontagrossense Leandro Wenglarek, há 4 anos. Desde então o grupo vem crescendo cada vez mais. Atualmente possui 16 integrantes, divididos em mais ou menos 5 espetáculos, além de novas produções que estão por vir ainda este ano.

Fotos: Gabriela Denkwiski e Rafaela Conrado.

 

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