AUÊ é marcado por desafio acirrado com apenas 0,16 pontos de diferença entre primeiro e segundo lugar

O espaço de eventos Aruanã, em Londrina, foi palco da 4° edição do Torneio Paranaense de Baterias, o famoso AUÊ. No sábado (29), baterias universitárias de Ponta Grossa, Curitiba, Londrina, Maringá, Guarapuava e outras cidades do estado disputaram o pódio e curtiram a festa durante 15 horas de evento.

O processo seletivo do torneio, que iniciou em fevereiro, possui quatro etapas: a primeira consiste em enviar um vídeo explicativo sobre a bateria; a segunda é o apadrinhamento; a terceira, um texto apresentando a bateria; e a última, que foi introduzida em 2025, é a arrecadação de alimentos para doação à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) das cidades de cada bateria.

A ideia do AUÊ surgiu em 2021 para fomentar o cenário paranaense e trazer representatividade para as baterias universitárias do estado. A equipe iniciou com 25 colaboradores, mas com o passar dos anos e melhor estruturação do evento, a equipe agora dispõe de 14 pessoas. Em consequência da pandemia, o evento teve sua primeira edição em 2023.

As baterias universitárias que participaram do torneio este ano foram: Furiosa, Rapozona, Imortal, Laranja Mecânica, Ferocidade, Os Coringas, Lolloteria, Mascarada e Jurássica, além da bateria Unidos do Divã, que foi convidada à se apresentar, visto que houve desistência de três baterias.

Neste ano, a organização do AUÊ forneceu workshops financeiros para os ganhadores do competição, além da premiação de instrumentos ao 1° e 2° lugar e é claro, o título de campeão paranaense. O pódio ficou com as baterias Furiosa (Cornélio Procópio), Rapozona (Toledo) e Imortal (Ponta Grossa). A Furiosa conquistou o 1° lugar com 97,79 pontos, Rapozona em 2° com 97,63 e Imortal em 3° com 96,76.

Produtora audiovisual e mestre da bateria Furiosa, que dominou a competição, Beatriz Alvarenga de Almeida comenta sobre o sentimento de levar o troféu para casa. “É bem estranho, porque faz um tempo que a Furiosa não está em um pódio no primeiro lugar, nós participamos de outras edições do AUÊ e ficar em primeiro era uma coisa que a gente não via, então sendo bem sincera, é um choque”. Beatriz ressalta que o desempenho de si mesma e dos integrantes fez com que conquistassem o 1° lugar. “Ver o resultado que tivemos hoje demonstra que o trabalho que a gente vem tendo ao longo desses últimos anos está funcionando”.

A jurada Luiza Rottger Vanini explica como funcionam os critérios avaliativos das baterias. “A gente avalia a parte criativa, os arranjos e ritmos, como eles ligam isso entre eles para tornar uma apresentação dinâmica e a parte técnica, que são os erros de execução, se conseguimos escutar todos os instrumentos e como está a afinação de cada um”. Ela também comenta sobre a competição entre baterias ser nacionalmente conhecida. “É um movimento muito amplo e cultural pelo Brasil inteiro e eu amo, imagina estar há 13 anos nisso, é como eu digo, não consigo ‘largar o osso’ porque isso tudo é muito gostoso”.

Cineasta e convidado do evento, Luiz Henrique Coelho também esteve presente no ano passado e observa que a execução das baterias têm evoluído com o passar do tempo. “Esse ano eu achei todas as apresentações melhores que as do ano passado, está bem concorrido e isso deixa mais legal, porque nunca tem certeza de quem vai ganhar o prêmio, eu acho que há cada ano está melhorando”.

Engenheira civil e responsável pelo setor de eventos da competição, Rebeka Machado conta sobre o início do Torneio Paranaense de Baterias. “A ideia veio de uma pergunta, como ‘uma bateria de medicina lá de Foz do Iguaçu nunca vai competir com uma bateria de educação física de Curitiba?’. Porque os torneios não permitiam isso e aí surgiu o pensamento de ‘precisamos de algo que englobe todas as baterias, independente de curso, região ou o que for, quem tem vontade que possa participar’ e assim surgiu o AUÊ”. Rebeka também conta sobre o motivo do evento aceitar somente 12 baterias para a competição: “A gente tem uma média de 16 à 18 baterias, varia de ano para ano, mas acabamos mantendo em 12 por conta do nosso evento ser apenas um dia, são 15 horas de evento, é desgastante para todo mundo, até porque a maioria faz bate-volta, então hoje fechamos nesse número porque para nós é o ideal, não fica tão saturado, mas também não é tão pequeno e conseguimos abranger mais baterias”.

Presidente da bateria pontagrossense Imortal, Rhaniel Rosa relata que foram embora com o sentimento de alívio e gratidão independente dos obstáculos enfrentados. “Nos sentimos extremamente felizes com o pódio e com o estandarte de instrumento diferenciado diante de um ano muito difícil, dificuldades financeiras e de quantidade de pessoas, além de contarmos com algumas lesões de ritmistas que preocupou muito nossa formação, mas no final deu tudo certo”. 

O músico diz que a bateria participou de todas as edições do torneio, porém, em sua visão, essa performance apresentou um nível superior. “Sem dúvidas foi a melhor apresentação da Imortal, mesmo tendo caído uma posição do ano passado, a construção dos ritmos e continuidade da apresentação como um todo está no maior nível já visto, vamos agora focar em lapidar cada vez mais algumas transições, e principalmente nossa execução para entregar o mais limpo possível nas próximas apresentações”. A Imortal utiliza diversos gêneros de música como referência, como jazz, heavy metal, rock, ritmo árabe, crazy frog, hip hop, rap, baião, além de referências de escolas de samba.

O Torneio Paranaense de Baterias pretende fazer alguns ajustes no evento, porém algumas questões impedem esse avanço no momento, como um espaço maior, chuveiros, sistema de esgoto, entre outros. Além das apresentações, o evento dispõe de venda de bebidas e alimentos durante todo o torneio, espaço para descanso, shot do agogô, desafio entre as baterias, música o dia inteiro e muito mais. 

Após mais um ano marcado por muito batuque, competição e energia, o palco se cala, mas a disputa continua e o ritmo não para. Agora, o próximo AUÊ já deixa uma pergunta no ar: quem vai fazer mais barulho?

Texto: Emanuelle Nunes

Revisão: Jeniffer Iara 

Supervisão: Ivan Bomfim 

Fotos: Emanuelle Nunes

Manu-18
Manu-10
Manu-11
Manu-12
Manu-13
Manu-14
Manu-15
Manu-19
Manu-16
Manu-17
Manu-18
Manu-20
Manu-23
Manu-22
Manu-26
Manu-25